O PROBLEMA DA UNIÃO E O DA LÍNGUA DE TRAPOS
Cavaco Silva acaba de vetar alterações À lei das uniões de facto. Porque transforma este contrato civil num "paracasamento". No seu comunicado o presidente da república alega que as duas coisas não são comparáveis e por isso qualquer aproximação lesaria muitos cidadãos. Não nega as estatísticas (porque não pode)que apontam na direcção do crescimento deste tipo de união, mas nega a igualdade de tratamento.
Nenhum de nós espera que o antigo primeiro-ministro que (tal como Santana Lopes, Deus lhe cubra o gel de bênçãos...) foi ao Vaticano beijar a mão ao papa, e está casado com a mesma pessoa há décadas, reconheça que duas pessoas livremente unidas, sem padre, seja uma coisa a sério. Já na lei do divórcio a orientação foi a mesma.
O que nós dispensávamos, no homem simples, do povo, que se formou e progrediu com trabalho era o discurso hipócrita. O que diz que a razão do seu veto está em proteger os casais em união de facto e que "uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento".
Não seria mais fácil falar verdade e dizer que aos seus olhos e aos do seu Deus, há a união abençoada e o concubinato. E que se toda gente optar por este, os padres ficam ainda com menos poder e o Vaticano contará ainda menos?
Liberdade de veto sim, mas não é preciso mentir nas razões. Já somos todos grandinhos, não?
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
24 de agosto de 2009
19 de agosto de 2009

A IMPORTÂNCIA DA CRÍTICA
Os blogtailors apontam-nos para a Pó dos Livros que lembra uma coisa intemporal: a crítica é um fruto do seu tempo e do gosto dos seus agentes. Aqui citam-se exemplos. Mas poderíamos falar de Eça, de Miguel Torga ou de Jorge de Sena, para não ir tão longe, todos acolhidos com desconfiança à data da primeira publicação das suas obras.
É preciso entender este fenómeno e ler com algum distanciamente. O Tempo será sempre o principal crítico de um trabalho artístico.
DAS ESCUTAS
Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?
Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?
13 de agosto de 2009
O PROBLEMA DAS PEVIDES
Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...
ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...
ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
SOBRE ARGUIDOS ELEITORAIS
Não consigo ver nada mais complicado que tentar governar a coisa pública em Portugal, se a razão for a honesta motivação de criar progresso. É por isso que a maioria dos que entram em frenesim pelos postos em vista não sofrem dela. Alguns, sim, felizmente para nós. Mas poucos.
Que a lista de Manuela Ferreira Leite contenha APENAS dois arguidos, não me parece mal. Afinal, nas alas do partido não deve haver muitos que não o tenham sido. Em todos os partidos há manigâncias, gente corrupta e amigos das negociatas com empreiteiros e clubes de futebol (veja-se o caso Felgueiras, por exemplo). Mas, admitamos, o partido actualmente liderado pela velha senhora é o campeão. Uma pesada herança deixada pelos tempos do cavaquismo que as pessoas insistem em esquecer. A época em que os rios de dinheiro que vinham da Europa chegavam às autarquias, antes de se sumirem pelo chão esburacado das obras desnecessárias.
A pergunta que os portugueses, descontentes com a governação socialista, devem fazer, na minha opinião, é se querem ser governados por esta gente. E votar em conformidade com essa constatação.
Não consigo ver nada mais complicado que tentar governar a coisa pública em Portugal, se a razão for a honesta motivação de criar progresso. É por isso que a maioria dos que entram em frenesim pelos postos em vista não sofrem dela. Alguns, sim, felizmente para nós. Mas poucos.
Que a lista de Manuela Ferreira Leite contenha APENAS dois arguidos, não me parece mal. Afinal, nas alas do partido não deve haver muitos que não o tenham sido. Em todos os partidos há manigâncias, gente corrupta e amigos das negociatas com empreiteiros e clubes de futebol (veja-se o caso Felgueiras, por exemplo). Mas, admitamos, o partido actualmente liderado pela velha senhora é o campeão. Uma pesada herança deixada pelos tempos do cavaquismo que as pessoas insistem em esquecer. A época em que os rios de dinheiro que vinham da Europa chegavam às autarquias, antes de se sumirem pelo chão esburacado das obras desnecessárias.
A pergunta que os portugueses, descontentes com a governação socialista, devem fazer, na minha opinião, é se querem ser governados por esta gente. E votar em conformidade com essa constatação.
12 de agosto de 2009
11 de agosto de 2009
SOBRE O PORTUGUÊS E O MEC
Pensámos estar perdido, nós o que crescemos e aprendemos com as suas crónicas, bem mais educativas do que o penoso estudo das orações em cima dos Lusíadas (invenção genial que terá feito - espero- arder num espeto para a eternidade o seu pedagógico inventor...). Mas aos poucos, com as suas mini-crónicas, o M.E.C. tem demonstrado estar de volta. Ainda bem para nós.
Um dos exemplos foi esta crónica que copio do Ciberdúvidas e que reproduzo com a devida vénia (uma vez que o Público fez o favor de se adiantar e pagar o autor):
"ESPARGATA ESPARGUETA
Queria escrever esparregata mas o único dicionário que tinha à mão, o da Academia [das Ciências de Lisboa], não me deixava. Telefonei a um ginasta amigo que me explicou que "esparregata" era só para o caso especial em que se escorrega num bocado de esparregado. Para todas as outras ocorrências, envolvendo espargos ou não, é espargata que se deve escrever.
Mas também não vinha espargata. Como sempre, foi o Ciberdúvidas que salvou o dia. Encontrou-a, mas só num dicionário, no melhor de todos: o Grande da Porto Editora (o meu anda escondido nalgum caixote, a rir-se baixinho). Carlos Rocha adianta que «nem o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, nem o Silveira Bueno explicam a origem deste substantivo feminino».
No blogue Língua à Portuguesa, Sara Leite propõe fundar um clube-de-otários-que-andaram-metade-da-vida-a-dizer-esparregata. Adiro já. Mas também não encontrou espargata sem ser no dicionário da Porto Editora. Diz que o termo é de origem italiana e sugere spargatta.
Não desisti enquanto não achei a origem da maldita espargata: é de spacatta, que descreve a mesma posição. Fare la spacatta é fazer uma espargata. O verbo é spaccare, que é rachar. Por exemplo, quando um desportista italiano diz ao adversário «ti spacco il culo» quer transmitir a ideia que está a pensar em ganhar.
Spargat também é a 3.ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo latim spargare, que pode ser espalhar (as pernas, neste caso). Nunca se sabe."
(artigo publicado no jornal Público, de 4 de Agosto de 2009, na rubrica «Ainda ontem». — 04/08/2009)
Pensámos estar perdido, nós o que crescemos e aprendemos com as suas crónicas, bem mais educativas do que o penoso estudo das orações em cima dos Lusíadas (invenção genial que terá feito - espero- arder num espeto para a eternidade o seu pedagógico inventor...). Mas aos poucos, com as suas mini-crónicas, o M.E.C. tem demonstrado estar de volta. Ainda bem para nós.
Um dos exemplos foi esta crónica que copio do Ciberdúvidas e que reproduzo com a devida vénia (uma vez que o Público fez o favor de se adiantar e pagar o autor):
"ESPARGATA ESPARGUETA
Queria escrever esparregata mas o único dicionário que tinha à mão, o da Academia [das Ciências de Lisboa], não me deixava. Telefonei a um ginasta amigo que me explicou que "esparregata" era só para o caso especial em que se escorrega num bocado de esparregado. Para todas as outras ocorrências, envolvendo espargos ou não, é espargata que se deve escrever.
Mas também não vinha espargata. Como sempre, foi o Ciberdúvidas que salvou o dia. Encontrou-a, mas só num dicionário, no melhor de todos: o Grande da Porto Editora (o meu anda escondido nalgum caixote, a rir-se baixinho). Carlos Rocha adianta que «nem o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, nem o Silveira Bueno explicam a origem deste substantivo feminino».
No blogue Língua à Portuguesa, Sara Leite propõe fundar um clube-de-otários-que-andaram-metade-da-vida-a-dizer-esparregata. Adiro já. Mas também não encontrou espargata sem ser no dicionário da Porto Editora. Diz que o termo é de origem italiana e sugere spargatta.
Não desisti enquanto não achei a origem da maldita espargata: é de spacatta, que descreve a mesma posição. Fare la spacatta é fazer uma espargata. O verbo é spaccare, que é rachar. Por exemplo, quando um desportista italiano diz ao adversário «ti spacco il culo» quer transmitir a ideia que está a pensar em ganhar.
Spargat também é a 3.ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo latim spargare, que pode ser espalhar (as pernas, neste caso). Nunca se sabe."
(artigo publicado no jornal Público, de 4 de Agosto de 2009, na rubrica «Ainda ontem». — 04/08/2009)
9 de agosto de 2009
AÇORES E SANTA CATARINA
Para quem imagina que o Brasil é apenas praia tropical e coqueiros, chegar a S.Catarina, no Sul do país pode ser uma surpresa. Agradável, mas diferente.
Povoada por açoreanos, a ilha de Santa Catarina mantém diversas tradições do arquipélago português na gastronomia, nas festas religiosas e até na forma de estar.
Para os que não foram leitores do "Rio da Glória" (ou que desistiram antes do fim...) aqui fica a segunda parte de um documentário feito para a televisão local pela produtora TAC, dessa região do Brasil, sobre as tradições dos dois lados do Atlântico.
Para quem imagina que o Brasil é apenas praia tropical e coqueiros, chegar a S.Catarina, no Sul do país pode ser uma surpresa. Agradável, mas diferente.
Povoada por açoreanos, a ilha de Santa Catarina mantém diversas tradições do arquipélago português na gastronomia, nas festas religiosas e até na forma de estar.
Para os que não foram leitores do "Rio da Glória" (ou que desistiram antes do fim...) aqui fica a segunda parte de um documentário feito para a televisão local pela produtora TAC, dessa região do Brasil, sobre as tradições dos dois lados do Atlântico.
7 de agosto de 2009
6 de agosto de 2009
CONVERSAS DE ESCRITOR
Como sempre acontece em época de eleições, ou quando se fala em rever o irrelevante serviço público prestado pela RTP, a empresa chega-se à frente, contrariada, e avança um programa de livros. Num canal secundário, claro, que a RTP1 está ocupada a promover o pimba.
Neste caso, o apresentador de telejornal, ao coincidir com o entrevistador do programa, chamou a atenção para ele. Ainda bem, por um lado.
Por pudor e vontade de conservar a sanidade mental, não vou dizer muito sobre a coisa. Apenas que se houvesse dúvidas sobre a qualidade de escritor do apresentador de televisão, elas ficariam esclarecidas. A forma ignara, mas sinceramente interessada como perguntou a Ian McEwan como é que ele fazia para se pôr na cabeça das personagens mulheres, e a sua insistência na questão, e se o outro teria pesquisado o assunto,não poderiam ser mais eloquentes. Ian McEwan, que deve estar habituado à asneira, lá foi esclarecendo, sensatamente, a criatura. O apresentador não só não tem um pingo de talento para a escrita, do ponto de vista formal, como não faz ideia da forma como um escritor a sério "pensa".
É o tipo de demonstração de ignorância e falta de autoconhecimento que me deixam entre a indignação (porque está a ganhar uma fortuna, paga pelos contribuintes, mensalmente, como prémio por ser péssimo) e a vontade de chorar.
José Rodrigues dos Santos não revela um pingo de inteligência ou qualquer conhecimento sobre o acto da escrita. Mas o pior é que nem sabe disso.
E o programa é igual a ele.
Tal tristeza...
ps: dizem-me que este senhor é exigente com os alunos a quem "ensina". É sempre assim, quanto menos se sabe mais se pede aos outros.
Como sempre acontece em época de eleições, ou quando se fala em rever o irrelevante serviço público prestado pela RTP, a empresa chega-se à frente, contrariada, e avança um programa de livros. Num canal secundário, claro, que a RTP1 está ocupada a promover o pimba.
Neste caso, o apresentador de telejornal, ao coincidir com o entrevistador do programa, chamou a atenção para ele. Ainda bem, por um lado.
Por pudor e vontade de conservar a sanidade mental, não vou dizer muito sobre a coisa. Apenas que se houvesse dúvidas sobre a qualidade de escritor do apresentador de televisão, elas ficariam esclarecidas. A forma ignara, mas sinceramente interessada como perguntou a Ian McEwan como é que ele fazia para se pôr na cabeça das personagens mulheres, e a sua insistência na questão, e se o outro teria pesquisado o assunto,não poderiam ser mais eloquentes. Ian McEwan, que deve estar habituado à asneira, lá foi esclarecendo, sensatamente, a criatura. O apresentador não só não tem um pingo de talento para a escrita, do ponto de vista formal, como não faz ideia da forma como um escritor a sério "pensa".
É o tipo de demonstração de ignorância e falta de autoconhecimento que me deixam entre a indignação (porque está a ganhar uma fortuna, paga pelos contribuintes, mensalmente, como prémio por ser péssimo) e a vontade de chorar.
José Rodrigues dos Santos não revela um pingo de inteligência ou qualquer conhecimento sobre o acto da escrita. Mas o pior é que nem sabe disso.
E o programa é igual a ele.
Tal tristeza...
ps: dizem-me que este senhor é exigente com os alunos a quem "ensina". É sempre assim, quanto menos se sabe mais se pede aos outros.
2 de agosto de 2009
1 de agosto de 2009
SEGUNDO A IMPRENSA (Público)...
"O empresário Miguel Pais do Amaral está “satisfeito” com os resultados do grupo Leya no mercado livreiro português e promete “uma estratégia vencedora para o Brasil”, depois de não ter conseguido entrar no mercado brasileiro através da aquisição de empresas já existentes".
Pá, ainda bem tanto mais que...
"“Fizemos várias tentativas de identificar potenciais targets [alvos] para entrar no mercado [brasileiro] via aquisição. Infelizmente, por várias razões que não interessa formular, não conseguimos. Por isso, vamos fazer uma start-up [nova empresa], com uma equipa própria que está neste momento a ser preparada”, explicou o empresário ao PÚBLICO, à margem da prova do campeonato Le Mans Series"
Tanta gentileza a responder, da bancada vip do autódromo merece no mínimo a nossa consideração.
E para aqueles que ainda pensam em livros como uma coisa ligada à Literatura:
"O empresário salienta ter “indicadores muito positivos tanto nas vendas, como em termos de margens”. “Não há nenhuma razão para alterar o que era a nossa posição inicial quando fizemos este investimento, que é ter uma posição de longo prazo”.
Relembro aqui a posição do futuro ex-ministro da cultura, quando se mostrou "contente" com a concentração de várias editoras num único grupo.
Digam o que quiserem, mas para mim, é mesmo bom viver num país tão dado à Cultura.
"O empresário Miguel Pais do Amaral está “satisfeito” com os resultados do grupo Leya no mercado livreiro português e promete “uma estratégia vencedora para o Brasil”, depois de não ter conseguido entrar no mercado brasileiro através da aquisição de empresas já existentes".
Pá, ainda bem tanto mais que...
"“Fizemos várias tentativas de identificar potenciais targets [alvos] para entrar no mercado [brasileiro] via aquisição. Infelizmente, por várias razões que não interessa formular, não conseguimos. Por isso, vamos fazer uma start-up [nova empresa], com uma equipa própria que está neste momento a ser preparada”, explicou o empresário ao PÚBLICO, à margem da prova do campeonato Le Mans Series"
Tanta gentileza a responder, da bancada vip do autódromo merece no mínimo a nossa consideração.
E para aqueles que ainda pensam em livros como uma coisa ligada à Literatura:
"O empresário salienta ter “indicadores muito positivos tanto nas vendas, como em termos de margens”. “Não há nenhuma razão para alterar o que era a nossa posição inicial quando fizemos este investimento, que é ter uma posição de longo prazo”.
Relembro aqui a posição do futuro ex-ministro da cultura, quando se mostrou "contente" com a concentração de várias editoras num único grupo.
Digam o que quiserem, mas para mim, é mesmo bom viver num país tão dado à Cultura.
30 de julho de 2009
ACAMPAR
Ainda continua a ser o grande refúgio de quem vive habitualmente na cidade, não tem apego ao conforto e gosta de adormecer com o barulho das ondas contra a falésia e acordar com os pássaros. Há uns dias, ainda semi-adormecido, pude distinguir, pelo canto, três espécies diferentes. Uma variação para o habitual barulho das ambulâncias, vizinhas efusivas a cumprimentarem-se entre si e carros rua afora, que me entram pela janela de casa.
Ainda continua a ser o grande refúgio de quem vive habitualmente na cidade, não tem apego ao conforto e gosta de adormecer com o barulho das ondas contra a falésia e acordar com os pássaros. Há uns dias, ainda semi-adormecido, pude distinguir, pelo canto, três espécies diferentes. Uma variação para o habitual barulho das ambulâncias, vizinhas efusivas a cumprimentarem-se entre si e carros rua afora, que me entram pela janela de casa.
20 de julho de 2009
SOBRE A IMPORTÂNCIA DA CULTURA
Sim, há gente que sem querer nada dos poderes se dispõe a sugerir propostas para a área da Cultura de um (eventual) futuro programa de governo. Sim, há pessoas que sem se sentarem com a sua melhor roupa na fila da frente de "Reuniões de intelectuais" ou pedirem a palavra no momento certo, para largar meia-dúzia de generalidades de forma a que se lembrem deles quando precisarem de um/a director/a de casa comemorativa ou instituto, ainda assim, sugerem o que acham melhor para um desenvolvimento cultural.
E porquê?
Por terem perfeita consciência de que a Cultura é a última das preocupações da maioria dos partidos, dos empresários, institutos públicos e privados e, sobretudo, dos milhões que todos os domingos atulham os hipermercado com o que Deus lhe deu, deslumbrados com a perspectiva de consumir coisas que toda a gente já tem, mundo fora. Dão-se ao trabalho de de defender coisas básicas que todos os dias os seus colegas se queixam, por saber que também pertencem a um povo que resmunga, anafado de iliteracia, sem se dar conta que parte dos seus problemas se resolveriam se entendessem um pouco mais das coisas do mundo. Da manipulação, por exemplo.
Bastava olhar o título de um dos jornais nacionais (o Público, creio...), a semana passada, que "mostrava" como o Algarve estava vazio. Às moscas. Sem ninguém, com tudo ao desbarato. Já nem o telefone do empresário de restauração mais in tocava para lhe perguntarem onde é que seria melhor aparcar o iate. A desgraça.
SE eu não estivesse numa praia algarvia, apinhada, logo abaixo de estradas com um trânsito intenso, poderia acreditar. Ou então, se não tivesse olhado com mais atenção a foto de primeira página. Um grupo de cadeiras vazias, um ou outro passeante, para comprovar a tese. Acontece que bastaria olhar de perto para ver pela luz que a foto foi tirada ao entardecer. Quando as pessoas já deixaram o areal. Apenas para provar uma tese que seria desmentida pela objectiva.
A comunicação social todos os dias insiste em nos manipular. Se calhar, sempre foi assim, eu é que não dava por isso. Mas neste momento, convencidos de que é preciso agravar, extrapolar, hiperbolizar,as más noticias, não hesitam e mentem. A verdade desapareceu ou, pelo menos, a sua necessidade. Os editores de jornal contentam-se com a mentira que venda. Eu entendo. É preciso agradar ao patrão do grupo com números pelo menos razoáveis de venda. Mas, para aqueles que foram para Jornalismo (já agora para Direito, onde se aplica a mesma situação) porque acreditavam que era preciso dizer a verdade aos outros, talvez seja altura de alargarem os seus horizontes e deixarem essa profissão que se afundará cada vez mais, tentando levar os leitores, que somos nós todos, com ela.
É por isso que a Cultura faz falta e investir nela como uma prioridade é essencial. Para que as pessoas tenham consciência de que o mundo é maior do que a sua casa. E que nenhum de nós está condenado à infelicidade, por mais praias fazias que nos mostrem.
Sim, há gente que sem querer nada dos poderes se dispõe a sugerir propostas para a área da Cultura de um (eventual) futuro programa de governo. Sim, há pessoas que sem se sentarem com a sua melhor roupa na fila da frente de "Reuniões de intelectuais" ou pedirem a palavra no momento certo, para largar meia-dúzia de generalidades de forma a que se lembrem deles quando precisarem de um/a director/a de casa comemorativa ou instituto, ainda assim, sugerem o que acham melhor para um desenvolvimento cultural.
E porquê?
Por terem perfeita consciência de que a Cultura é a última das preocupações da maioria dos partidos, dos empresários, institutos públicos e privados e, sobretudo, dos milhões que todos os domingos atulham os hipermercado com o que Deus lhe deu, deslumbrados com a perspectiva de consumir coisas que toda a gente já tem, mundo fora. Dão-se ao trabalho de de defender coisas básicas que todos os dias os seus colegas se queixam, por saber que também pertencem a um povo que resmunga, anafado de iliteracia, sem se dar conta que parte dos seus problemas se resolveriam se entendessem um pouco mais das coisas do mundo. Da manipulação, por exemplo.
Bastava olhar o título de um dos jornais nacionais (o Público, creio...), a semana passada, que "mostrava" como o Algarve estava vazio. Às moscas. Sem ninguém, com tudo ao desbarato. Já nem o telefone do empresário de restauração mais in tocava para lhe perguntarem onde é que seria melhor aparcar o iate. A desgraça.
SE eu não estivesse numa praia algarvia, apinhada, logo abaixo de estradas com um trânsito intenso, poderia acreditar. Ou então, se não tivesse olhado com mais atenção a foto de primeira página. Um grupo de cadeiras vazias, um ou outro passeante, para comprovar a tese. Acontece que bastaria olhar de perto para ver pela luz que a foto foi tirada ao entardecer. Quando as pessoas já deixaram o areal. Apenas para provar uma tese que seria desmentida pela objectiva.
A comunicação social todos os dias insiste em nos manipular. Se calhar, sempre foi assim, eu é que não dava por isso. Mas neste momento, convencidos de que é preciso agravar, extrapolar, hiperbolizar,as más noticias, não hesitam e mentem. A verdade desapareceu ou, pelo menos, a sua necessidade. Os editores de jornal contentam-se com a mentira que venda. Eu entendo. É preciso agradar ao patrão do grupo com números pelo menos razoáveis de venda. Mas, para aqueles que foram para Jornalismo (já agora para Direito, onde se aplica a mesma situação) porque acreditavam que era preciso dizer a verdade aos outros, talvez seja altura de alargarem os seus horizontes e deixarem essa profissão que se afundará cada vez mais, tentando levar os leitores, que somos nós todos, com ela.
É por isso que a Cultura faz falta e investir nela como uma prioridade é essencial. Para que as pessoas tenham consciência de que o mundo é maior do que a sua casa. E que nenhum de nós está condenado à infelicidade, por mais praias fazias que nos mostrem.
16 de julho de 2009
HARRY POTTER AND THE HALF BLOOD PRINCE
È o melhor até agora dos filmes. Nada foi deixado ao acaso e tudo foi tratado com um cuidado que não existia (uma forma desastrada, diria antes) nos primeiros filmes.
Excelente fotografia, também. O Eduardo Serra é capaz de se ver à rasca para fazer melhor nos dois últimos da série.
È o melhor até agora dos filmes. Nada foi deixado ao acaso e tudo foi tratado com um cuidado que não existia (uma forma desastrada, diria antes) nos primeiros filmes.
Excelente fotografia, também. O Eduardo Serra é capaz de se ver à rasca para fazer melhor nos dois últimos da série.
14 de julho de 2009
BRUNO
Alguém no Facebook escrevia que tinha ido ver o filme "Bruno" e regressado a casa chocado. Eu também não sou um apreciador deste género de cinema, mas se as coisas que ali acontecem ainda chocam gente "informada", então, é porque faz falta.
É a velha questão do exagero para que a hipocrisia se estilhace. É um estilo.
Alguém no Facebook escrevia que tinha ido ver o filme "Bruno" e regressado a casa chocado. Eu também não sou um apreciador deste género de cinema, mas se as coisas que ali acontecem ainda chocam gente "informada", então, é porque faz falta.
É a velha questão do exagero para que a hipocrisia se estilhace. É um estilo.
PARA NÃO FALAR MAIS DE POLÍTICA
Nos últimos tempos dou por mim envolvido a tomar partido pelos partidos. Quem me conhece sabe do meu cepticismo sobre os políticos em geral e sobre as cortes que os assediam por favores em particular.
Mas a perspectiva para alguém ligada à Cultura de ter Cavaco Silva na presidência, Ferreira Leite no Governo e Santana na Cãmara de Lisboa, é mais do que um pesadelo. É ter de repetir o que já fez no início da década de 90: emigrar por não conseguir respirar no meio de tanta patetice e novo-riquismo.
Por isso, vou continuar a tomar partido.
Até Outubro, apenas.
Nos últimos tempos dou por mim envolvido a tomar partido pelos partidos. Quem me conhece sabe do meu cepticismo sobre os políticos em geral e sobre as cortes que os assediam por favores em particular.
Mas a perspectiva para alguém ligada à Cultura de ter Cavaco Silva na presidência, Ferreira Leite no Governo e Santana na Cãmara de Lisboa, é mais do que um pesadelo. É ter de repetir o que já fez no início da década de 90: emigrar por não conseguir respirar no meio de tanta patetice e novo-riquismo.
Por isso, vou continuar a tomar partido.
Até Outubro, apenas.
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